O
Brasil nos últimos dez anos teve avanços consideráveis no que tange ao seu
crescimento econômico, que possibilitou, politicamente que o Brasil pudesse
sustentar os seus avanços sociais, uma vez que a presença de governos de “esquerda”
e oposição neo-liberal, como os dois mandatos do governo Lula e a atual gestão
da Dilma.
A
política econômica de viés keynesianista dos últimos governos, também chamados
de progressistas, na tendência da chamada “onda rosa” da América Latina,
impulsionou o crescimento através de gastos governamentais no âmbito social,
como o Bolsa Família, atingindo cerca de 13 milhões de pessoas, o lançamento do
Programa Minha Casa, Minha Vida, impactando cerca de 1 milhão de famílias e os
Pacotes de Aceleração do Crescimento I e II, levando o Brasil a se posicionar
politicamente no mundo de forma mais
sólida e confiante, possibilitando inclusive que o Brasil pudesse arriscar
alguns palpites na Política Internacional, através da assunção de responsabilidades
como país-potência nos casos como da liderança da Missão das Nações Unidas para
Estabilização do Haiti(MINUSTAH), perdoar as dívidas de países africanos,
tornar-se credor do Fundo Monetário Internacional e ocupar a presidência da
Organização Mundial do Comércio.
Um
país que Lula encontrou em 2003 com reservas internacionais no patamar de 19
US$ Bilhões de dólares chega a 2013 com reservas internacionais de mais 380 US$
Bilhões de dólares, acaba se tornando muito mais respeitado, uma vez que estas
reservas internacionais de dólares podem servir para financiar uma Europa em
crise ou ser credor dos Estados Unidos da América, através da compra de títulos
do governo Norte Americano, que ainda inspiram confiança no mercado, pois esta super
potência, ou hiper potência como alguns preferem, tem uma democracia sólida
desde os século XVIII, nunca declararam moratória a seus credores em quase 240 anos de república e tem metade
das forças armadas do mundo, abre espaço para que um Brasil mais maduro possa
crescer com robustez e responder com altivez as suas responsabilidades em um
sistema internacional mais complexo, com a emergência de novos atores.
Entretanto
não podemos desconsiderar a fragilidade e dependência que o Brasil tem no seu
âmbito econômico, pois embora os números demonstrem um país mais seguro, por trás destes números escondem o ferreiro
com martelo de pau, porque as reservas internacionais brasileira, que são os
dólares em poder do banco central, sabendo que o Brasil não é emissor de
dólares e por isso tem adquirir dólares através do Balanço de Pagamentos, tem
as suas contas superavitárias principalmente na
Conta Capital e Financeira, composta principalmente de Investidor Estrangeiro Direto, Empréstimos no
exterior e recursos de capital especulativo, como as compras de ações e títulos
brasileiros a juros altos.
Isto
significa que as reservas internacionais de dólares do Brasil não são de
capital exatamente brasileiro, mas sim de estrangeiros que apostam no Brasil
através de investimentos, empréstimos ou compras de ações, remetendo a maior
parte dos seus lucros para os seus países matriz. Ou seja, o Balanço de
Pagamentos brasileiro que é composto pelas contas de transações correntes,
conta capital e financeira, contas de erros e as contas de variações nos
haveres, tem superavitário apenas a conta capital e financeira, no patamar de
13 US$ Bilhões de dólares, que acaba compensando o déficit brasileiro no
balanço de pagamentos, influenciado principalmente pelas transações correntes,
tradicionalmente deficitária.
Esta
sensação de país rico que o Brasil vem adotando constantemente, está sendo
sustentado com a poupança externa, já que o Brasil tem uma poupança interna
muito pequena e por isto a necessidade de facilitar a entrada de capital
estrangeiro no Brasil, através da construção civil, como a transposição do Rio
São Francisco, a Hidrelétrica de Belo Monte, a urbanização do Porto Maravilha,
a construção de casas populares do Programa Minha Casa, Minha Vida e a
construção de estádios para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas, entre outras
atividades, que asseguram a certeza do lucro do capital especulativo dos
acionistas em bolsas de valores, dos empréstimos internacionais, que terão seus
créditos retornados através de altas taxas de juros, ou investidores internacionais,
que deixam seus dólares no Brasil, com a certeza da remessa de lucros para o
exterior serão de taxas elevadas.
O
problema disso são os resultados que o Brasil vem tendo no seu crescimento
econômico baixíssimo, influenciado pela retração da economia chinesa e norte
americana, hoje o primeiro e segundo maiores parceiros comerciais do Brasil, a
alta inflação existente no mercado brasileiro, ainda influenciado pelos
estímulos dado pelo governo em momento de crise mundial, como a redução ou
eliminação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), principalmente da
linha branca, eletro - eletrônicos e veículos automotores, além das mudanças de
cálculos nas contas públicas, gerando desconfianças nos investidores
internacionais. Para piorar a situação, o FED norte americano anunciou que irá
deixar de emitir dólares, o que vai gerar uma falta de liquidez no mercado, que
pode levar a uma fuga de capital, mesmo que o Brasil mantenha alta as taxas de
juros, já que a tendência é o aumento do preço do dólar no mercado
internacional. Valendo sempre aquela máxima: Se tiver uma alta demanda e pouca
oferta, os preços subirão exponencialmente. O momento é de comprar dólares!
Concluo,
portanto, preocupado com a vulnerabilidade a qual o Brasil está submetido, pois
a década de crescimento acelerado, que fez o Brasil tornar-se respeitado e
considerado no cenário internacional, levou o Brasil a trazer os avanços
sociais tão reivindicados pela população brasileira, desde o fim da ditadura
militar, da década perdida e do programa neo-liberal de Fernando Collor e Fernando
Henrique Cardoso. Sustentando assim, programas assistencialistas como o Bolsa
Família, gerador de 13 milhões de consumidores, a expansão do ensino superior,
mesmo que sendo em sua maior parte ditado pelo ensino privado, que recebeu
subsídios para a expansão, através do FINAES(Fundo de Investimento de
Assistência ao Ensino Superior) ou do PROUNI(Programa Universidade para Todos),
o qual das 2.500 instituições de ensino superior, apenas cerca de 250 são
públicas. Sendo que as ações afirmativas, reivindicações históricas do
movimento negro, apenas puderam expandir-se de forma considerável a sua adoção
nas universidades públicas após 2010, ano que o Brasil teve uma das suas
maiores taxas de crescimento, puxada pelos seus altos juros e aporte de
Investimentos Diretos Estrangeiros, que puderam garantir que a candidatura do
Brasil e do Rio de Janeiro para a Copa do Mundo e para a Olimpíada, respectivamente,
fosse possível.
Outrossim,
o Brasil não contava com a retração da economia mundial, tal como acontece
ciclicamente no sistema capitalista, como previu Marx no século XIX e Keynes,
após a crise de 1929, sendo que este último considerou que no mercado,
diferente do que acreditavam os liberais, a demanda que definia e os preços e a
tendência era o desemprego dos fatores de produção, necessitando que o governo
gastasse, principalmente em obras públicas, com vistas a manter o crescimento,
gerando crescimento, alta taxa de emprego e liquidez na economia. Porém no caso
brasileiro, nota-se que uma retração no mercado mundial, tal como aconteceu na
década de 30 e no final da década de 70, leva a uma fuga de capitais, que no
caso do café brasileiro, dependente da importação nacional, tiveram uma alta
queda de preços e mesmo assim não forma consumidos, sendo obrigados a serem
queimados para mantiverem os preços em patamares consideráveis. Já no final da
década de 70, a fuga de capitais levou o Brasil a entrar na década perdida, com
escassez de crédito, obrigando o Brasil a declarar moratória, durante o governo
Sarney, após países da América Latina, como México e Argentina fazerem o mesmo
e assim, o crescimento econômico realizado na década de 70, pelos governos de
Geisel e Médici, sustentados por reservas internacionais baseadas nas Contas
Capital e Financeira do Balanço de Pagamentos, se tornasse perdidos após a retração
da economia. E dessa forma, os bens de capital investidos àquela época, se
deterioram ao longo de 15 anos, levando a super-oneração de empresas públicas,
que em uma solução liberal de Fernando Henrique Cardoso, privatizou mais de 130
empresas públicas para acumular poupança interna e assim diminuir os déficits
nas transações correntes.
Certamente
a fórmula da década de 70, da ditadura militar, que pode ser repetida, pois tal
como na época da ditadura, o Brasil tinha se tornado a 7ª maior economia do
mundo, hoje após 10 ano de crescimento, de 2003 a 2013, onde o Brasil está
sendo considerado a 5ª maior economia do mundo, após a declaração do FED de
deixar de emitir dólares, o Brasil pode estar na eminência de retração de
liquidez, que pode afetar o Brasil profundamente, uma vez que o Brasil está
vulnerável aos investidores internacionais, embora o comércio de comodities
brasileiros sejam variados e de bens essenciais, como trigo, soja e minério de
ferro, o que pode levar a tendência brasileira de manter a balança comercial
favorável, mas não o Balanço de Pagamentos.